Você quer ser meu amigo? Tem certeza?
Tem vocação pra Maria Madalena?
Não???
Então cai fora!
Aprecio quem usa espartilhos, ligas, rendas, faço uso de chicotinhos, gargantilhas, correntes, algemas e, as vezes, chantilly, mas não sou michê, não.
E vou logo avisando: Se queres praticar algo comigo, permita minha repugnância, pois já tive Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir dividindo a cama numa louca transa comigo. Então esqueça!
Freqüento bistrôs, cafés, chatôs, muquifos, boates, tudo na penunbra com muita fumaça alucinógena e luz ofuscando a dilatação das minhas pupilas. Tenho minha preferência aos oboés romanos regados aos banhos gregos.
Tenho meus ritos, minhas oferendas e meus grilos. Gosto de olhar o maço de cigarro dos meus amigos para vê-los emparelhados como se fossem soldados pronto para guerra, e assim me sinto liberto.
Odeio e repudio os falsos homens que pedem sempre o mesmo whiski só pra ter o prazer de rodar o dedo naquele copo com gelo sem beber, porque odeia deslilados, bancando pose num ritual de macho que demarca seu território como os cães que urinam nos cantos que se sentem donos.
Me interesso pela vida sórdida das messalinas e putas de luxo, com sua língua acetinada, são de uma inescrupolosidade alencarina, seladora, um esgar.
Quase gozo quando vejo manchas roxas de porrada e hematomas na pele suja da prostituta de rua, arranhões e marcas de chicote são nojentos, mas tenho amigos que gostam.
Banheiros então, nem se fale, tenho uma tara marginal. Cada um tem a sua, e daí?
Diz pra mim se a intensidade do seu orgasmo não multiplica se estiver montado no parceiro ou sentado no sanitário, ora de pé contra a porta fechada, as pessoas batendo na porta tentando entrar e a aflição do momento só fazendo você aumentar seu orgasmo.
Não precisa dizer não, mas confessa vai? Você bem gosta de umas batidinhas nas ancas enquanto trepa. Parceiro recalcado me dá náusea, cheio de pudor e falsa moral, nunca conheceu o orgasmo, por isso prefiro as ordinárias, mundanas, santas na vida, putas na cama. Num estalar de dedos as prostitutas se arreganham e os michês se ajoelham, eu os acostumei assim.
Ontem mesmo descobri a sonoridade do “P” na cama, foi fantástico: puta, pau, porra, porrada, porca, pozinho do demônio.
“Vai, me esbofeteia que te coloco de quatro e te chamo de canalha, pois estou na fase fálica, se é que essa fase existe.”
Não sai da minha retina aquela imagem que me incomodou tanto. Aquela mulher glabra que vi no Teatro Municipal com seu echarpe portenho, soberba em seu tailleur, pois aposto que abaixo da volúpia cintura, entre suas pernas o desejo gangrenava minas de desejos sombrios de um mal secreto que guardava a sete chaves: sentia desejos pelo marido de sua irmã e quando pequena cheirava roupas íntimas de seu pai desejando-lhe. Mulher plena, possessa. Mulher digna da minha admiração, não te repudio minha mãe!!!
A música que me entorpecia, não parecia vir daquele instrumento, era uterina o que era, aquilo sim era de um erotismo definitivo. Pagaria aquela mulher uma noite a mais para tocar pra mim, só pra ter aquela leitura fálica fremindo meus ritos mais lascivos. Tenho vocação para as tragédias, o fogo e as lágrimas me pertencem.
O homem é um animal que vive entre dois grandes brinquedos: o amor onde nem sempre se ganha e a morte onde sempre se perde. Por isso inventou a dança, o circo, o teatro, a carne, as boates, os bares, o ópio, os inferninhos da vida.
Declaro aberta a luxúria na vida tenebrosa, comigo não há meio termo possível, nem lugar para neutros, nem anfíbios.
Existe um ser que vomita suas fezes numa carnificina que impacta e choca.
Esse alguém sou eu.
Você quer ser meu amigo? Tem certeza?
Assinar:
Postar comentários (Atom)

2 comentários:
Lembro bem desse texto: o mesmo que nos separou nos unindo novamente... chega a ser poético!
Essas histórias de alcova me fascinam , sem pudores, sem vergonha.Já consigo até imaginar os olhares obscenos para os pretendentes.E quem melhor para contracená-las senão com aqueles que desejamos ? rs
Postar um comentário